terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um livro pelos nossos meninos

Na sexta-feira passada, na FNAC de Braga, foi apresentado o livro "Como TVer" que foi ilustrado pelos alunos das turmas 1 e 2 do 4º ano da EB123 de Gondifelos do ano lectivo passado.




Os meninos, que agora estão no 5º1 e 5º2, e as suas professoras estão de parabéns!




O livro pode ser comprado nas lojas FNAC ou num jornal de distribuição nacional.
Daqui a uns dias algumas cópias estarão disponíveis na nossa biblioteca.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

texto criativo

O esqueleto traquina e o cão Pintas

Quando o esqueleto viu o Pintas, sorriu com todos os dentes à mostra. O cão é que não achou graça nenhuma e …

…começou a ladrar, mas o esqueleto não teve medo e continuou a sorrir. O Pintas olhou durante um minuto, muito sério, mas o esqueleto continuou a sorrir; até lhe deu uma gargalhada: ah, ah, ah…

O cão não gostou e saltou tão alto para cima do esqueleto, e foi com tanta força, que ele ficou com as costelas todas espalhadas e com elas cerca de 200 ossinhos.

Um dos ossos bateu na cabeça de um menino que se chamava Bruno. Os amigos dele foram ao recreio e viram o Pintas com a cabeça do esqueleto e com marcas vermelhas de ossos que bateram nele. Os amigos e o Bruno chamaram as meninas, mas um osso estava a ir na direcção do lago da praça…

Todos foram a correr; o Bruno, o Rafa, o Zé e a Adriana eram os que corriam mais. Antes dos ossos caírem no lago, a Adriana apanhou-os e atirou-os para o Cris, mas caiu e como o lago era fundo, ela ia-se afogar, mas os rapazes saltaram e foram ajudá-la. Ficaram todos encharcados.

O Rafael e o Bruno foram os últimos a sair da água, mas havia mais 23 ossos a voar e caíram no lago. Os dois rapazes viram e foram buscá-los.

O Pintas encontrou mais 50 ossos e guardou-os na casota; o Bruno contou-os e já eram 74. As costelas foram parar às árvores do jardim, assim como outros ossos e passaram a ser 120.Depois de 1 hora, já tinham 205 ossos; só faltava o estribo que era o mais pequenino. Procuraram e procuraram mas não o encontraram. Quando tal, o Zé anunciou que o Pintas o tinha engolido.

Todos puseram o cão de pernas para o ar durante cinco minutos. Depois, lá saiu o estribo e os ossos do esqueleto já estavam todos. Só restava montar o esqueleto novamente; para isso, precisaram da ajuda de sete adultos, para colocar tudo no sítio devido. De seguida, colocaram o esqueleto no seu local habitual que era a sala de aula da escola.

Os amigos foram descansar depois desta aventura de apanhar os ossos de um esqueleto traquina.

O autor: Rafael Silva 4ºano/2

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ORELHAS DE BORBOLETA

Era uma vez um menino que se chamava Alfredo.
Um dia, ele ia para a escola e os colegas dele começaram-lhe a chamar nomes feios.
_ O Alfredo é baixo, gordo e feio!
_ Não, não, - respondia ele muito envergonhado.
Quando chegou a casa, foi logo ter com o pai e perguntou-lhe se era mesmo assim como os colegas diziam. O pai lá o aconselhou e no dia seguinte, o menino encarou os colegas com valentia.
_ O Alfredo tem sapatos rotos…
_ Não, não, os meus dedos é que são curiosos! – dizia ele.
_ O Alfredo tem pés a cheirar a chulé!
_ Não, não, só tenho pés a cheirar à natureza.
_ O Alfredo é olheiro! O Alfredo é olheiro!
_ Não, eu tenho, é olhos vistosos e alegres que gostam de ver tudo.
_ O Alfredo é muito gordo! O Alfredo é muito gordo!
_ Não, tudo isto é muito músculo e exercício físico e os meus órgãos precisam de muito espaço.
_ O Alfredo é caixa de óculos!
_ Não, não, são apenas olhos que gostam de espreitar pelas janelas.
_ Tens uma cabeça grande…
_ Não! Tenho, é um cérebro pensador...
_ Andas sempre com o pingo no nariz!
_ Não, não, eu apenas colecciono ranho na minha camisola…
_ O estômago do Alfredo faz rom-rom… Ou vais dizer que ele tem fome?
_ Não, não, ele apenas quer comer! Querem vir comigo almoçar a casa?
E todos lá foram com o Alfredo e nunca mais se meteram com ele por causa das suas diferenças, pois perceberam que é errado discriminar seja quem for.
Quando na escola o Alfredo pensava que os colegas lhe iam chamar nomes, eles apenas lhe diziam cheios de orgulho:
_ O Alfredo é muito inteligente! O Alfredo é muito inteligente! Nós somos amigos dele. Nós somos amigos dele.
FIM

Plano Nacional de Leitura
Obra lida: «Orelhas de borboleta»
Alunos do 4ºano/2

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O QUE FOI O 5 DE OUTUBRO DE 1910?

Antes do dia 5 de Outubro de 1910 não havia a República, mas sim a Monarquia.
As mulheres do povo andavam com saiotes, traziam à cabeça cântaros com a água e tudo o que levavam para a feira, ou do campo para casa.

O Rei de Portugal era D. Carlos I, a sua mulher chamava-se a rainha D. Amélia e os seus filhos eram o Príncipe Luís Filipe e o Príncipe Manuel.

Nessa época da nossa história havia pessoas que estavam descontentes com o regime político da Monarquia porque não cuidava do bem-estar do povo, nem o ajudava a melhorar as suas condições de vida. O povo era pobre, vivia muito mal, havia uma grande distinção de classes e os ordenados eram reduzidos e trabalhavam muitas horas sem condições.

Então, os militares e os republicanos fizeram uma revolução contra a Monarquia, para ela ser abolida do nosso país, e conseguiram. Por isso, neste dia, se comemora a Implantação da República e é feriado nacional em Portugal.

Esta mudança começou a acontecer em 1908, quando o rei D. Carlos e a sua família iam na carruagem real, em Lisboa, e foram assassinados o rei e o filho mais velho. Houve muita confusão e depois deste regicídio, ficou a governar o reino o Príncipe D. Manuel II com a ajuda da mãe e dos seus conselheiros. Nestes dois anos aumentaram os problemas e o descontentamento da população era cada vez maior. Os assassinos do rei foram presos e castigados, mas nunca se conseguiu governar em paz.

Por essa razão, nas ruas de Lisboa, no dia 5 de Outubro de 1910, o povo escolheu a República e o rei teve de se exilar em Inglaterra com medo de ser morto. Da varanda da Câmara Municipal de Lisboa foi anunciada com alegria esta mudança de regime, há muito desejada.

Foi escolhido para primeiro Presidente da República o Dr. Manuel de Arriaga, a bandeira real deu lugar à bandeira republicana e passamos a ter um hino chamado «A Portuguesa», que são os símbolos da nossa nação.

Actualmente, o nosso Presidente da República chama-se Professor Aníbal Cavaco Silva.

(Texto condensado das composições dos alunos do 4º ano/turma 2, sobre este feriado nacional.)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Famílias escritoras (18)

A minha infância

Quando eu era pequena, gostava de andar na escola e de brincar com as minhas amigas.
Mas naquele tempo, não havia computadores, consolas, bonecos… como há agora. Por isso brincávamos com o que havia: nas bouças, com tudo o que lá tinha; tudo servia para nós brincarmos.
Havia lá dois penedos e um deles parecia um piano, o outro parecia uma cama, ao qual nós chamávamos a «cama do diabo». Jogávamos às escondidas, à apanhadinha e fazíamos piqueniques.
Ao lado da minha casa existia um tanque onde as pessoas lavavam a roupa, e nós, de Verão, quando ele estava cheio de água limpa, fazíamos dele uma deliciosa piscina.
Quando chegava o Natal, eu ficava toda contente. O meu pai trabalhava na empresa Mabor Continental e lá faziam uma festa para os filhos dos empregados, onde nos mostravam as máquinas e explicavam como se fazia um pneu. Depois, havia um teatro, palhaços e prendas… Nós ficávamos todas contentes.
Depois… cresci, acabei a escola e fui trabalhar…
E foi mais ou menos assim a minha infância!
Foram bons tempos que eu recordo com saudade…

Família escritora da aluna:
PATRÍCIA ALVES BARBOSA
3ºANO/TURMA 2

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Famílias escritoras (17)

O SONHO DO TIAGO

Era uma vez um lindo menino chamado Tiago. Ele tinha nove anos e acalentava um sonho: sonhava com um mundo melhor.
Num certo dia de Verão, Tiago foi passear pelo jardim que ficava perto de sua casa. Havia lá muitas árvores, flores de várias cores, passarinhos e muitas borboletas.
_ É este o meu lugar preferido! Dizia ele, todo contente.
Pouco depois, o menino viu ao longe uma luz muito brilhante. Aproximou-se e reparou que havia ali um cesto com três saquinhos de areia muito fininha: um vermelho, um branco e um amarelo.
_ Estes saquinhos devem significar AMOR, PAZ E BENS ESSENCIAIS! Imaginou ele, porque apesar da sua tenra idade, era muito inteligente.
Existia lá ao pé uma escada em direcção ao imenso céu azul. Sem qualquer hesitação, subiu. Como por magia, tornou-se tão leve como uma pena. Por isso, rapidamente atingiu o topo da longa escada e eis que se depara com uma linda e fofa nuvem.
Sentou-se então e observou com muita atenção o que se passava nos cinco continentes do mundo. Ficou triste, muito triste! Ele só viu Guerra, Fome, Discriminação e Desigualdade.
Imediatamente, lembrou-se dos saquinhos que trazia consigo. A nuvem deslocava-se muito lentamente, e o menino lançava AMOR, PAZ E BENS ESSENCIAIS.
De imediato, a guerra terminara. As armas foram trocadas por gestos de amor e carinho entre os Homens. A solidariedade, a generosidade e a igualdade passaram a ser uma constante entre os povos. Todas as crianças eram felizes…
O menino ficou tão feliz! O seu sonho tornara-se realidade…
De repente, ouviu uma voz suave e familiar:
_ Filhinho, acorda. São horas de levantar.
Acordou com um lindo sorriso nos lábios, olhou à sua volta e viu que estava no seu quarto. A voz que ouviu era a da sua querida mãe.
Ficou triste, mas não desiste. Todas as noites, antes de se deitar, olha para o céu e pede aos anjinhos que o seu sonho se torne verdadeiramente uma realidade: um MUNDO MELHOR…


FAMILIA ESCRITORA DO ALUNO: TIAGO ANDRÉ MARTINS DA SILVA
3ºANO TURMA2

sábado, 29 de agosto de 2009

Famílias escritoras (16)

História de uma vida

Esta história começou há 48 anos, no ano de 1961 e conta a história da minha vida…
Quando eu nasci, numa freguesia de Esposende, onde meus pais viviam, pois a minha mãe de lá é natural, viemos viver para Vila do Conde, pois o meu pai, que era motorista de pesados, recebeu uma boa oferta de trabalho e então mudamo-nos para esta cidade, então vila.
Foi uma infância muito feliz, pois entretanto nasceram as minhas irmãs, em 1962 e em 1965. Também vivia connosco o meu avô paterno. Dele herdei o gosto pela leitura, pois também ele lia tudo quanto lhe aparecesse pela frente, até os nossos livros escolares.
Nunca nos faltou nem o carinho nem o amor de nossos pais, assim como nunca nos faltou a comida ou os brinquedos, pois meu pai ganhava bem e a minha mãe ajudava no orçamento, trabalhando em casa na costura e cultivando o quintal da casa onde vivíamos.
Quando eu tinha por volta de 5 anos, o meu avô que então trabalhava num escritório, em frente à escola de rendas de bilros, começou a levar-me com ele e enquanto ele ia trabalhar, eu ficava na escola de rendas. Assim aprendi a fazer renda de bilros. Frequentei esta escola em paralelo com a escola primária, pois naquele tempo a escola primária era só a ½ tempo.
Como a vida corria bem aos meus pais, eles decidiram construir uma casa e então, depois de adquirirem o terreno, começaram a sua construção. Foi por volta do ano de 1968.
Estava a casa construída de pedreiro quando o dinheiro que meus pais haviam economizado se acabou, e foi então que eles tiveram que recorrer a empréstimos para acabar a casa, que ficou pronta a habitar no Verão de 1972.
Foi também neste ano que eu acabei o 4ºano de escolaridade.
Foi por esta altura que a minha mãe adoeceu, começando por emagrecer cerca de 2,5kg por semana sem motivo aparente, pois os médicos não lhe encontravam nada e diziam que o que ela tinha era uma cisma. Então receitavam-lhe medicamentos, que mal não lhe faziam, mas também não a curavam e se ela os deixava de tomar continuava a emagrecer. Era um tal correr médicos e até curandeiros… Mas ninguém conseguia que ela parasse de emagrecer.
Foi então que eu, em vez de ir estudar para o ciclo preparatório, (era assim que se chamava aos 5º e 6º ano) eu fui para a 5ª e 6ª classe, pois os livros eram mais baratos e havia sempre a possibilidade de no final do 6º ano eu continuar a estudar se as coisas melhorassem.
Mas não foi isso que aconteceu, pois a doença de minha mãe prolongou-se por 2 intermináveis anos, assim como as dívidas aumentaram, pois o dinheiro que o meu pai ganhava, às vezes não chegava para os medicamentos, medicamentos esses que passado pouco tempo eram deitados fora porque não faziam nada e então lá se procurava outro médico e voltava tudo ao mesmo.
Foram tempos muito difíceis, pois minha mãe pensava estar cancerosa, e então pedia-me para ajudar o meu pai a criar as minhas irmãs, visto ser eu a mais velha.
O meu pai trabalhava então de motorista na empresa Agros e fazia a distribuição de leite no Porto. Saía de casa às 4h da manhã e só chegava depois das 8h da noite; fazia muitas horas extra e ganhava muito bem, mas nunca chegava, pois gastava-se muito dinheiro em medicamentos que não eram comparticipados, pois o médico da caixa não passava as receitas dos médicos particulares; mas também porque eles todas as semanas eram diferentes e ele dizia que não podia fazer nada.
Falava-se em vender a casa, pois com o acumular das dívidas parecia não haver alternativa, mas a minha mãe não deixou, e assim continuavam a pedir dinheiro emprestado, pois todas as semanas a minha mãe ia ao médico e de lá trazia novas receitas que substituíam as anteriores e era preciso comprar.
E assim se passaram aqueles 2 anos, com a saúde de minha mãe umas vezes melhor outras pior, mas sempre com aquelas crises e desmaios sem ninguém saber porquê, até que alguém a aconselhou a ir a um médico que começava a ser conhecido, pois dava tratamento a certas doenças neurológicas que aparentemente não tinham cura, pois não existiam, eram cismas (era o que os outros médicos diziam ao meu pai quando este os confrontava com a falta de melhoras de minha mãe).
Foi então este médico (Dr. Martins), ao qual a minha mãe recorreu sem nenhuma esperança de melhoras e por descargo de consciência, quem começou a curá-la, pois falava a mesma língua que ela. Quando ela começava a descrever-lhe os sintomas, ele completava o que ela descrevia, e então este médico disse-lhe que a doença dela era grave, mas tinha cura, tratava-se de um esgotamento nervoso já bastante avançado e acompanhado de uma anemia que também tinha que ser tratada.
Então quando a minha mãe mostrou a receita ao médico da segurança social para este lhe passar os medicamentos pela caixa, este, mais uma vez se recusou a fazê-lo, dizendo-lhe que estes medicamentos iam matá-la, além de serem caríssimos, eram doses para cavalos. E mais uma vez os meus pais tiveram que recorrer ao empréstimo, a familiares, mas desta vez a minha mãe começou a melhorar a olhos vistos.
Foi também nesta altura que minha mãe engravidou da minha irmã mais nova, da qual sou a madrinha. Quando a minha mãe engravidou, já se encontrava melhor, mas teve que parar com a maior parte da medicação. Mas depois dela nascer, a minha mãe aos poucos foi-se recompondo até que ficou boa.
Por esta altura eu já devia estar matriculada no liceu, mas depois de falarmos e com muito custo, ficou decidido que eu iria trabalhar, por ser a mais velha e as dívidas serem muitas: éramos então 4 filhas e o meu pai era sozinho a trabalhar.
Estávamos então no pós 25 de Abril e estava tudo muito confuso com o regresso dos portugueses das ex. colónias e os empregos eram poucos.
Para agravar a situação, eu não tinha 14 anos, idade com que se podia começar a trabalhar legalmente.
Foi então que, com muita dificuldade e com alguns pedidos, alguém me arranjou emprego numa fábrica de conservas de peixe.
Foram tempos muito difíceis, que não gosto de recordar! Tempos de verdadeira escravatura, pois no Verão chegava a trabalhar das 6h da manhã até às 22h, só com os intervalos para almoçar ao meio dia (12h) e por volta das 18h para lanchar. No Inverno não se trabalhava tanto, mas era ainda mais duro pois o peixe vinha congelado e com o frio, muitas vezes não descongelava e tinha que ser trabalhado ainda em gelo. Para agravar isto, havia outro problema: a encarregada não gostava de mim; e já vão saber porquê.
Por esta altura, o meu único consolo era a leitura; eu adorava ler e ficava até de madrugada a ler, lia tudo. Fiz-me sócia do Círculo de leitores e com o dinheiro que ficava para mim para gastos, eu comprava livros.
Lia à noite e depois no dia seguinte contava às minhas amigas no trabalho, o que tinha lido. Era por isso que a chefe não gostava de mim, por eu estar sempre na conversa. Então por vezes, mandava-me trabalhar isolada, sozinha, pensava ela, mas tal não acontecia, pois eu nessas horas rezava muito (nunca me sentia sozinha, pois acreditava e acredito que temos alguém que olha por nós e nos faz companhia sempre que O evocamos), e vai daí, a encarregada via-me a falar sozinha e não entendia; pensava decerto que eu não era bem fina e chegou a dizer isso a minha mãe. Mas de tanto pedir a Deus e a Maria, Sua e nossa Mãe, para me ajudarem a mudar de vida o milagre aconteceu, pois olhando para a maneira como as coisas se passaram, eu acredito que tem dedo Divino na minha mudança de vida.
Trabalhei na conserva dos 13 aos 21 anos; não era de todo infeliz, pois a causa pela qual fui sacrificada, era uma causa nobre a meu ver. Tratava-se da honra dos meus pais em pagar as dívidas, pois de outra forma tinha levado muito mais tempo. O meu avô materno dizia que só quando eles (avós maternos), fechassem os olhos é que os meus pais teriam dinheiro para pagar o que deviam, depois de venderem o que minha mãe herdasse.
Por isso, quando as dívidas ficaram pagas, e não precisando tanto do meu ordenado, pois o meu pai, nessa altura trabalhava de motorista no Linhares, empresa de transportes públicos e excursões, fazia muitas horas extra e ganhava bem, já não precisavam que eu trabalhasse. Estava a minha mãe a conversar com uma senhora muito amiga sobre isso, quando esta lhe diz:
__ Miquinhas, a conserva não é para a sua filha. Ela sabe ler, escrever e falar tão bem que é um crime deixá-la lá. Tente arranjar-lhe outro emprego, pois qualquer coisa é melhor trabalho que aquele.
Depois de conversar isto com o meu pai, vieram falar comigo. Ficou então decidido que iríamos procurar outro emprego.
Foi então por esses dias, estava eu a ver um programa no 2º canal, quando ouvi um empresário têxtil a falar das dificuldades em encontrar modelistas e estilistas para a confecção, que estava em expansão na altura; como não havia pessoal especializado na indústria têxtil, tinham que o mandar vir de França ou Itália para preencher estes quadros. Nunca pensei que meus pais levassem a sério o meu pedido, pois eu estava a brincar.
Como nessa altura o meu pai fazia muitas vezes a carreira para o Porto, por vezes tinha que esperar algum tempo para voltar. Foi então procurar onde eu fizesse formação, mas foi muito difícil, pois em todas as escolas oficiais era exigido o 9º ano. Ele também não desistiu e foi à procura de escolas particulares, porque já alguém lhe tinha falado em algumas, mas também nestas estava difícil para estilista; em todas era obrigatório o 9º ano, só numa é que para modelista só precisava da 6ª classe.
E foi então que aconteceu o milagre que viria a mudar a minha vida.
Depois de conversarmos os 3, os meus pais e eu, o meu pai matriculou-me nessa escola de nome CITEM, que se situava na rua do Almada mesmo em frente ao cinema da Trindade.
No meu primeiro dia de formação levaram-me para uma sala onde estavam os alunos mais recentes e depois de me apresentarem à monitora que se chamava Dª Isolina, ela mandou-me pegar no material necessário para fazer um molde (papel, lápis, régua e esquadro) e disse-me:
- Trace uma recta e faça P. O.
E foi-se embora.
Eu até para o chão olhei para ver se encontrava o P.O., pois se em cima da mesa ele não estava, debaixo também não. Só não desisti naquela hora porque pensei em todo o esforço que o meu pai tinha feito, e por vergonha, não fugi.
Então uma colega, ao ver o meu desespero, veio em meu auxílio dizendo:
- O meu nome é Teresa, e o que tens que fazer é uma linha recta e depois na extremidade direita fazes uma esquadria.
Quando a monitora chegou com as fichas técnicas, para eu começar a fazer o meu 1º molde (uma saia), já eu tinha o P.O. pronto, que mais não era que uma esquadria, e assim eu comecei por aprender que um molde começa sempre por uma recta. Depois das primeiras dificuldades, adaptei-me bem aos métodos de aprendizagem da escola; a monitora que começou por me ensinar foi mandada embora e a que a veio substituir era excelente, como pessoa e também como professora. Senti uma empatia muito grande por esta senhora (Dª Lurdes). Foi a Dª Lurdes quem me ensinou a fazer moldes, mas para isso eu tive que fazer 3 cursos: o básico, o escalado e transformação.
Quando acabei estes três cursos, o dono da escola ofereceu-me o suplemento do curso de malhas, pois arranjei trabalho como modelista numa fábrica de exportação, que só trabalhava com malhas e lycras.
Escusado será dizer que foi um pouco difícil o meu começo como modelista, pois não tinha nenhuma experiência de trabalho nesta área, mas com algum esforço lá fui andando, pois não tinha alternativa se queria mudar de vida.
Aprendi os comportamentos das diferentes malhas, assim como se trabalham, pois para cada espécie de malha é preciso um determinado encolhimento; também aprendi a trabalhar em máquinas industriais e a alterar os diversos pontos em conformidade com as diversas elasticidades das malhas.
Trabalhei muito, mudei algumas vezes de emprego, sempre que me faziam uma nova proposta de trabalho; se eu a achava vantajosa, mudava de emprego. Também trabalhava em casa a fazer moldes para outras empresas em part-time.
Foi quando trabalhava em Famalicão que conheci o meu marido. Tinha então 26 anos e foi amor quase à primeira vista, embora eu já tivesse tido alguns namorados não tinha sido nada sério, pois eu, ao fim de pouco tempo, já estava cansada deles e não tinha paciência para os aturar. Então mandava-os dar uma volta.
Desta vez foi muito diferente. Começámos por ser amigos e quando dei conta estava apanhadinha por ele. Namoramos 10 anos, com algumas chatices pelo meio, mas nada comparado com o comportamento de outros namorados que eu tinha tido; não havia cenas de ciúme excessivo, nem havia aquele sentimento de posse que eu detestava em alguns namorados, e aos poucos lá fomos construindo um namoro sério baseado na confiança mútua.
Casei com o grande amor da minha vida! Mas a profissão dele não tem nada que ver com a minha, pois ele é agricultor. A sua vida foi muito diferente da minha, embora tenha estado emigrado no Canadá e mais tarde no Brasil, pois ele teve que se vir embora do Brasil para trabalhar as terras pertencentes à família, uma vez que o pai e o irmão que as trabalhavam, faleceram (foi nessa altura que nos conhecemos), e nos 10 anos que namorámos, vi que, se um dia casássemos, eu teria que enfrentar uma vida totalmente diferente da que tinha tido até então.
De viagem de lua-de-mel fomos ao Brasil.
Quando chegámos ao Rio de Janeiro, chovia e não havia previsão de melhoras para o tempo. Então fomos a uma agência de viagens e como a Sª da agência nos disse que na Baía faz sempre sol, lá fomos nós. Compramos uma estadia de 15 dias em Porto Seguro.
O tempo estava maravilhoso, passeamos muito a pé. O hotel ficava a cerca de 2 km da cidade e do porto onde se fazia o embarque para os passeios marítimos que nós fazíamos quase diariamente. Visitámos uns recifes de coral onde eu nadei em mar aberto, em pleno Atlântico; a água era quentinha e os peixinhos vieram comer migalhas de pão na minha mão, nadei a par com uma tartaruga no recife da Coroa Vermelha, ao almoço comemos peixe que era pescado no recife e era cozinhado para os visitantes do mesmo. Foram momentos inesquecíveis!
Visitámos Sta. Maria de Cabralia, que foi onde Pedro Álvares Cabral desembarcou quando chegou ao Brasil, em 1500. Fomos visitar uma tribo Índia, que vivia do seu artesanato. Também saíamos à noite, íamos até à cidade para nos divertirmos e fazer compras. Era tudo maravilhoso, desde o passear à beira-mar, junto ao cais, passando pelos sumos naturais, pelos batidos, pelo coco gelado e também experimentei uma bebida deliciosa, alcoólica, que se chamava «capeta». A guia do hotel tínha-nos avisado para não nos metermos nela, e então eu só bebi uma. Desta minha viagem ao Brasil gostei imenso.
Quando regressei, voltei ao meu trabalho que decorria normalmente, mas aos 6 meses de gravidez tive que meter baixa médica, pois os meus pés inchavam muito e a médica que seguia a minha gravidez mandou-me parar.
Depois de o meu filho nascer, deixei de ter disponibilidade para este tipo de trabalho que, como já disse, era um trabalho muito cansativo. Eu chegava à noite do trabalho muito cansada e não tinha tempo para o menino que acordava de noite para comer e trocar a fralda. O meu marido até me ajudava bastante, mas eu andava cheia de sono durante o dia e quando era preciso fazer horas extra eu não podia. Então comecei a ter chatices com os patrões que, a brincar, mas falando, diziam que eu já não tinha a mesma disponibilidade para o trabalho.
Eu comecei a pensar nisto e depois de conversar com o meu marido decidimos, que o melhor era deixar de trabalhar fora.
Como tinha umas máquinas industriais de confecção minhas, pois em tempos eu tinha trabalhado por minha conta comprando malhas e fazendo peças que depois vendia em algumas lojas, vim novamente trabalhar por minha conta, e assim trabalhei durante algum tempo, até este tipo de negócio deixar de ser rentável.
Entretanto e como não percebia nada de agricultura, para poder ajudar em alguma coisa o meu marido, inscrevi-me num curso de empresária agrícola onde aprendi alguma coisa sobre agricultura, não que me tenha transformado numa agricultora, mas dá para ajudar em alguma coisa.
Quando engravidei da minha filha no inicio do ano 2000, (22 de Abril) fiz um AVC, tinha então 40 anos. Nunca se descobriu a causa, pois todos os exames que me foram feitos estavam normais; a causa provável foi ter-se soltado um coágulo de sangue das varizes ou então a própria gravidez. Estava eu grávida de 2 meses e a médica que me acompanhava no hospital de S. Marcos, em Braga, veio falar comigo dizendo-me que talvez fosse preciso fazer um aborto e queria saber o que eu pensava do assunto.
Fiquei muito triste, pois havia já algum tempo que eu tentava engravidar novamente, e depois de fazer umas Ecografias e mais alguns exames, decidi continuar com a gravidez se fosse essa a vontade de DEUS. Foi uma gravidez de risco, tive que fazer fisioterapia, pois o lado esquerdo do meu corpo ficou todo paralisado. Foi mais uma batalha na minha vida, uma fase difícil de ultrapassar, mas mais uma vez com a ajuda Divina, consegui vencer este problema.
Quando estava grávida de 3 meses tive que fazer uma Amniocentese; quando me telefonaram do laboratório a dizer que estava tudo bem e eu ia ter uma menina, era dia 27 de Julho, dia do meu aniversário. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e a melhor prenda de aniversário que me deram, só igualado pelo dia do nascimento do meu filho e pelo nascimento dela, pois o nascimento dos meus filhos foram os acontecimentos que me fizeram sentir mais realizada e feliz como mulher.
Hoje, a minha vida é deles e do meu marido. É para eles que vivo. O meu filho tem 10 anos e a minha filha tem 8 anos.
De tudo tenho feito na vida: comecei a trabalhar aos 13 anos, fui fazer o curso de modelista aos 21, (nessa altura foi muito difícil a princípio, só não desisti por respeito a meu pai), comecei a trabalhar como modelista só com o curso sem experiência nenhuma, sem conhecer sequer uma máquina industrial, mais tarde fui encarregada geral numa grande empresa.
Quando foi preciso, abdiquei da minha carreira, sem qualquer arrependimento, pois pensava retomá-la quando os meus filhos estivessem mais crescidos.
Mas entretanto a vida mudou e o que era um bom trabalho, hoje pouco interessa, pois a Têxtil como sabemos já deu o que tinha para dar. Tenho que enfrentar a vida com novos desafios e não deixar cair os braços; vou tentar ultrapassar os problemas que esta crise nos tem causado. Se não posso retomar o meu trabalho, há que procurar noutra área; é mais um desafio, que eu tenho pela frente e tento, com a ajuda de Deus vencer as dificuldades do dia-a-dia.
Pelos meus filhos, para lhes mostrar que devemos sempre tentar mudar a nossa vida para melhor quando para isso temos oportunidade e nunca é tarde para aprender. Por mim, não sei ainda o que a vida me reserva! Presentemente ando a fazer o 12º ano através das Novas Oportunidades. Tem sido uma experiência muito enriquecedora, pois aprendi a trabalhar no computador entre outras coisas, e como tudo vale a pena quando a causa não é pequena, e esta é bem grande, pois trata-se da esperança no futuro que só a Deus pertence, a Ele peço o pão nosso de cada dia, peço também forças para enfrentar a vida com dignidade, honestidade e muito amor.
Foi-me pedido pela minha filha uma história para um projecto da escola chamado «famílias escritoras». Como eu não sou nada que se pareça com uma escritora, decidi contar por alto, um pouco da minha experiência de vida.
E como a vida se assemelha a uma viagem de comboio, despeço-me, marcando encontro na próxima paragem.

FAMÍLIA ESCRITORA DA ALUNA: MARIA BACELOS CAMPOS MEIRA
3ºANO/TURMA 2

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Famílias escritoras (15)

A BOLA DE CRISTAL

Era uma vez uma feiticeira que tinha 3 filhos que se amavam fraternalmente. A velha, porém, não confiava neles, pensando que queriam roubar-lhe o poder. Transformou, então, o mais velho numa águia, que teve de ir morar para o alto de uma montanha rochosa e, de vez em quando, podia-se vê-lo a descrever grandes círculos no ar, de cima para baixo. O segundo transformou-o numa baleia, que vivia nas profundezas do mar, e só se podia vê-la quando esguichava um forte jacto de água para cima. Ambos assumiam a sua forma humana apenas duas vezes por dia. O terceiro filho, temendo que a mãe também o transformasse num animal feroz, saiu de casa às escondidas.
Ora, ele ouvira contar que no castelo do Sol Dourado havia uma princesa encantada aguardando que alguém a libertasse. Porém, todo aquele que tentasse libertá-la era obrigado a arriscar a vida, e já 23 jovens tinham morrido de morte horrível. Só mais um poderia tentar, e depois a mais ninguém seria permitido salvá-la. Como o seu coração nada temia, resolveu procurar aquele castelo. Vagueava ele pelos arredores, já há bastante tempo, sem conseguir encontra-lo, quando se viu numa grande floresta onde não conseguia encontrar saída. De súbito, avistou ao longe dois gigantes que lhe acenaram com a mão e, assim que ele se aproximou, disseram-lhe:
__ Estamos a lutar por causa de um chapéu, para ver a quem pertence. Como temos a mesma força, nenhum pode vencer o outro. Os homens pequenos são mais inteligentes do que nós, por isso queremos deixar-te a ti a decisão.
__ Como podeis brigar por causa de um chapéu velho? - perguntou o mancebo.
__ Tu não sabes as virtudes que ele tem! É um chapéu mágico e quem o puser na cabeça pode desejar ir onde quiser e, no mesmo instante estará lá.
Disse então o mancebo:
__ Dai-me o chapéu! Andarei um pedaço do caminho e, quando eu vos chamar, começai a correr; e o chapéu será daquele que me alcançar primeiro.
Pondo o dito chapéu na cabeça, saiu dali mas, com o pensamento na princesa, esqueceu os gigantes e continuou sempre a andar. Ora, aconteceu que suspirando do fundo do coração, exclamou:
__ Ah! Se eu estivesse no Castelo do Sol Dourado!
Nem bem acabara de falar, encontrou-se no cimo de um alto monte, aos portões do castelo. Entrou e atravessou todos os aposentos, até que no último encontrou a princesa. Mas que susto apanhou ao olhar para ela: tinha um rosto cor de cinza, cheio de rugas, plhos baços e cabelos vermelhos.
__ Sois vós a princesa cuja beleza todo o mundo enaltece? – perguntou.
__ Ah! -respondeu ela. Esta não é a minha aparência. Os olhos humanos só me podem ver com este aspecto. Mas para que saibas como eu sou, olha este espelho. Ele não se deixa enganar e mostra a minha verdadeira imagem.
Ela pôs na sua mão o espelho, onde o mancebo viu reflectido o retrato da mais linda donzela do mundo, e viu como, de tanta tristeza, as lágrimas lhe rolavam pelas faces. Então, ele disse:
__ Como podeis ser salva? Eu não tenho medo de perigo algum.
Ela respondeu:
__ Quem conseguir a bola de cristal e apresentá-la ao feiticeiro quebrará o seu poder e eu retomo a minha forma verdadeira. Ah! – continuou – por causa disso, vários já foram ao encontro da morte, e tu, tão jovem, tenho pena que te exponhas a tão grandes perigos.
__ Nada me pode deter – disse ele – mas dizei-me o que devo fazer.
__ Saberás de tudo – respondeu a princesa. Descendo do monte onde está o castelo, encontrarás em baixo, uma fonte e lá um touro selvagem, e com ele deves lutar. Se tiveres a sorte de o matar, de dentro dele erguer-se-á um pássaro de fogo que leva no seu corpo um ovo incandescente, e esse ovo tem como gema a bola de cristal. O pássaro, porém, não solta o ovo senão quando é forçado a isso e, se porventura o ovo cai no chão, incendeia-se e queima tudo ao seu redor. E se se derrete e, com ele, a bola de cristal, todo o teu esforço terá sido em vão.
Desceu o mancebo até à fonte, onde o boi bufava e bramava para ele. Depois de demorada luta, ele o derrubou. Num piscar de de olhos, ergue-se de dentro, o pássaro de fogo e quis começar a voar, mas a águia, que era o irmão do mancebo e que estava a voar por entre as nuvens, precipitou-se sobre ele, perseguindo-o até ao mar, e bicou-o até que ele deixou que se soltasse o ovo. Este, porém, não caiu no mar mas sobre a cabana de um pescador situada na margem, que logo começou a fumegar, prestes a ser consumida pelas chamas. Ergueram-se então ondas enormes que, inundando a cabana, dominaram o fogo. O outro irmão, que era a baleia, viera a nadar e conseguira dar um impulso para que a água fria, apagasse o fogo.
O mancebo procurou o ovo e, por felicidade, encontrou-o. Não se tinha derretido, mas a casca, devido ao choque com a água fria, rachara-se, e a bola de cristal pôde ficar intacta.
Indo o mancebo apresentá-lo ao feiticeiro, este disse-lhe:
__ Meu poder está desfeito e, de hoje em diante, és o rei do Castelo do Sol Dourado. Por isso, também poderás devolver aos teus irmãos a forma humana.
Correu então o mancebo ao encontro da princesa e, ao entrar nos seus aposentos, ela lá estava em todo o seu esplendor da sua beleza. E ambos, cheios de alegria, trocaram os seus anéis.

FAMÍLIA ESCRITORA DO ALUNO: BRUNO MIGUEL DE CARVALHO BARBOSA
3ºANO/TURMA 2

domingo, 23 de agosto de 2009

Famílias escritoras (14)

UMA HISTÓRIA DE VIDA

Esta é a minha história e a da minha família.
Chamo-me Maria… Sou casada há muitos anos com António. Temos 5 filhos: a mais velha é a Ana, é casada e tem uma filha; a segunda chama-se Alexandra, é casada e tem um filho; a terceira á a Isabel, mora com o namorado; ainda tenho dois gémeos, com 8 anos.
A minha primeira filha nasceu, tinha eu 19 anos. Foi muito complicado porque eu não queria ter filhos logo após o casamento…
Depois do nascimento desta menina, dou entrada no meu emprego e descubro que estou novamente grávida. Fiquei furiosa da vida por não querer que a minha vida começasse desta maneira, mas aconteceu…
Não tendo quem mas guardasse, deixei o trabalho e fiquei em casa para tomar conta delas, e aí comecei a ajudar a minha sogra a trabalhar a terra. Tinha a segunda filha 8 meses, fiquei doente com anemia bastante adiantada. Fui hospitalizada para fazer uma transfusão de sangue e ainda anos de tratamento.
Os anos foram passando e eu resolvi ser ama de crianças para ajudar o meu marido nas despesas familiares. Comprámos terras, construímos casa, trabalhámos aos fins-de-semana e feriados, e com a ajuda de amigos e muito suor e trabalho conseguimos construir a nossa vida. Entre todos, resolvemos ajudar-nos mutuamente na construção da casa de cada um, indo trabalhar uma semana para um amigo ora para outro e eles assim faziam connosco também. Decidimos habitar a casa ainda por acabar, sem portas e sem janelas, com estores apenas e portas interiores. Aos poucos, fomos terminando a nossa casa.
Desde então, e com as minhas filhas já na escola e a casa acabada, o meu marido ansiava ter um filho homem e aconteceu a terceira gravidez. Mas foi outra menina! Então, ele resolveu parar de pensar no menino e disse:
__ Agora chega. Não há mais meninos! Ficamos por aqui.
Eu fui guardando crianças, mais e mais, e foram 27 que passaram pela minha mão.
Chegou o ano de 2000 e a Primavera trouxe o que eu já não esperava.
Era dia de Páscoa. O meu marido foi comprar leitão para o almoço, toda a gente comeu e tudo correu bem. Na semana seguinte começaram a surgir problemas; fiquei doente e com comichão no corpo, vómitos e diarreia. Fui ao médico de família que me deu medicação. Passadas 2 semanas voltei lá novamente porque tinha os mesmos sintomas. Ele deu-me medicação mais forte mas não me aliviou nada. Voltei ao médico e então disse-lhe:
__ Senhor doutor, eu estou igual. Mande-me fazer análises ou outros exames. Isto não está bem. Há alguma coisa muito grave! ...
Ele respondeu-me:
__ Não rapariga, isso foi uma intoxicação alimentar. O teu estômago está tão inflamado que vai levar tempo a passar.
Eu repliquei:
__ Será melhor fazer umas análises?
O médico respondeu-me que não, que tudo iria melhorar com o tempo.
O tempo foi passando, a barriga foi crescendo… Então decidi ir à farmácia fazer uma análise e descobri que estava grávida mais uma vez. Fui à Ginecologista que me confirmou outra gravidez e que tinha de fazer exames rapidamente. Nesses exames vim a saber que estava com 22 semanas de gestação e de dois gémeos rapazes. Foi uma gravidez de risco porque tinha um gémeo com problemas. Fui sempre muito acompanhada, entrei em repouso absoluto… Previa que fosse um parto de cesariana, devido à idade que já contava (43 anos), mas por sorte foi parto normal e sem costuras. Quando soube desta gravidez, levei um susto enorme; mas depois senti muita alegria…
Os meus filhos nasceram no hospital de S. João, no Porto. Eram muito pequeninos, com o peso de 1,790g e foram para a Neonatologia onde estiveram na incubadora ligados às máquinas, para poderem viver e aumentar o peso. Depois, vieram para o Hospital de S. João de Deus, em Vila Nova de Famalicão, onde continuaram a lutar pela sua sobrevivência.
Quando chegaram a nossa casa tinham já 15 dias de vida. Continuei a cuidar deles com muito esforço, muita luta e muito carinho e irei continuar a cuidar deles enquanto Deus me deixar, para eles poderem ser uns homens.
A minha vida deu uma volta muito grande, está um bocado complicada, o meu marido tem muitos problemas de saúde. Eu tenho de fazer de pai, de mãe, de esposa, de enfermeira, enfim, tenho de ser tudo, sozinha na minha casa. Por vezes, torna-se complicado e sinto-me cansada, mas procuro as minhas forças nos meus filhos. As filhas mais velhas são muito carinhosas para o pai, são muito amigas dos irmãos e dão-me muita força para eu poder levar a vida para a frente.
Eu acho que vou conseguir dar a volta e ser feliz à minha maneira. Somos uma família muito unida formada por pais, filhas, filhos, genros e netos. Vamos continuando a vida da melhor maneira possível, um dia após o outro e que Deus ajude a minha família e todas as famílias escritoras.

FAMÍLIA ESCRITORA DOS ALUNOS: ALBERTO OLIVEIRA E SILVA E RAFAEL OLIVEIRA E SILVA
3ºANO/TURMA2

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Famílias escritoras (13)

QUERIA TER UM IRMÃOZINHO!
Era uma vez um menino que entrou para a escola e no meio de uma conversa entre professores e alunos, a professora perguntou quantos irmãos tinham.
Esse menino, que se chamava Carlos, disse que não tinha irmãos.
Quando chegou a casa, perguntou à mãe porque não tinha ele irmãos. A mãe respondeu-lhe:
__ Meu filho, ainda não chegou o momento certo para teres um irmão.
Mas Carlos tanto que falava que queria um irmão, que os pais decidiram ter outro bebé.
Quando a mãe ficou grávida, deu-lhe logo a notícia:
__ Carlos, vais ter um irmãozinho!
O menino ficou tão ansioso e contente que queria saber o sexo do bebé. A mãe, durante a gravidez, foi acompanhada pelo médico, ia às consultas e fazia ecografias. O Carlos, sempre que a mãe ia fazer uma ecografia, a primeira coisa que ele perguntava, era:
__ É menino ou menina?
Só que o médico não conseguia ver o sexo da criança…
Entretanto, o Carlos continuava a dizer que queria um irmão.
Passados 6 meses, a mãe dele tornou a fazer outra ecografia e o resultado saiu que era uma menina. Então, a mãe chegou a casa e deu a notícia ao Carlos:
__ Vais ter uma irmãzita, meu filho!
O menino ficou tão triste que até chorou. Ele dizia, para se consolar, que quando a mãe fosse para o hospital para ter o bebé, iria nascer um menino.
Passados mais 3 meses, a mãe estava a completar os 9 meses de gravidez. Já estava a chegar a hora do nascimento do bebé.
Esse menino chamado Carlos, era eu.
No dia 30 de Novembro, o meu pai foi-me levar à minha avó, pois a minha mãe estava a entrar em trabalho de parto. Fiquei na minha avó e o meu pai levou a minha mãe para o hospital. Entretanto, a minha tia chegou à minha avó e disse para ne vestir que me ia levar ao hospital, para ver o bebé.
Cheguei lá e o meu pai estava à minha espera para eu entrar para ver a minha mãe e o bebé.
Quando cheguei ao quarto, vi uma linda menina! Fiquei tão contente que fui eu que escolhi o nome dela: LARA BEATRIZ.
Eu continuei a ir à escola e dei a novidade aos meus colegas e professora:
__ Eu já tenho uma irmã!
Os meus colegas e professores deram-me os parabéns.
Eu ajudava a minha mãe com a menina, só que ela dormia e comia. Eu nunca tinha hipótese de brincar com ela.
Agora, ela já tem 1 ano e meio e gosto muito de brincar com ela pois já entende um bocado das brincadeiras que temos.
ADORO MUITO A MINHA IRMÃ!


FAMÍLIA ESCRITORA DO ALUNO: JOSÉ CARLOS ALVES DA FONSECA
3ºANO/TURMA2

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Famílias escritoras (12)

ESMERALDA E O LAGO

Esmeralda era uma menina que vivia numa pequena vila chamada «Pôr-do-sol».
Era muito brincalhona e alegre, tinha longos cabelos pretos, olhos cor de azeitonas negras e uma pele morena.
Na sua vila existia um grande e longo lago com águas esverdeadas, com longas margens de relva e lindas árvores, árvores de todas as cores e feitios e lindas flores.
Esta menina, todas as manhãs, ia para a margem do lindo lago, ver nascer o sol; alguns dias ficava lá até o sol se pôr.
Certo dia, estava a linda Esmeralda a saltar à corda na berma do lago, quando ouviu chamar pelo seu nome:
__ Esmeralda… Esmeralda…
A menina olhou para todos os lados mas não via ninguém e continuou a sua brincadeira. Voltou a ouvir:
__ Esmeralda… Esmeralda… Olha para mim. Sou a árvore amarela!
Esmeralda aproximou-se da árvore e espantada, perguntou:
__ Que se passa árvore? Não sabia que também falavas! ...
A árvore amarela respondeu:
__ Não tens reparado na cor do nosso lago?
__ Não! - respondeu Esmeralda. Mas correu logo para ver o que tinha mudado.
__ Ah! Está a ficar muito escura a água do lago e a cheirar muito mal! Que se estará a passar? – replicou menina, pensativa.
__ Sabes? Há uma fábrica do outro lado do lago que está a poluir a água do nosso lindo lago e vai-nos matar a todos: árvores e flores.
__ Isto não pode continuar assim! Alguém tem de fazer alguma coisa por todos nós.
Esmeralda pensou um pouco e disse:
__ Vou falar com o senhor presidente da Câmara Municipal. Ele tem que salvar a nossa vila e o lago desta poluição, não estás de acordo, Árvore Amarela?
__ Sim, estou – respondeu ela.
A menina, naquele dia, não saiu de perto do lago, estava muito triste e a pensar no que ia dizer, no dia seguinte, ao senhor presidente e no que ele poderia fazer, porque a fábrica era muito importante para a vila, criava muitos empregos e dava dinheiro para a vila crescer. A menina foi dormir a pensar no assunto.
No dia seguinte, logo pela manhãzinha, a Esmeralda foi à Câmara e pediu para falar com o sr. Presidente, mas como era uma criança, a secretária não a deixou entrar. Repetiu o pedido diversas vezes mas não foi atendida. Como o problema era grave, a Esmeralda sentou-se na cadeira da sala de espera e pensou:
__ Não saio daqui sem ser atendida!
Mas, de repente, um senhor muito bem vestido aproximou-se dela e perguntou-lhe:
__ A menina espera alguém?
__ Não, mas preciso de falar urgentemente com o senhor Presidente. E o senhor quem é?
__ Sou o senhor Alfredo. Posso-a ajudar em alguma coisa ou nalgum assunto?
__ Pode, respondeu a menina, ajude-me a resolver o problema do nosso lago e daquela fábrica que está a poluir a água.
O sr. Alfredo ficou muito admirado!
__ Ah! Tanta preocupação para uma menina não é normal nos dias de hoje! Mas venha ao meu gabinete, menina – disse- lhe o senhor Alfredo, muito preocupado porque a fábrica era sua e ele não a queria fechar.
A menina entrou, sentou-se e logo começou a falar, mesmo sem pedir autorização para isso.
__ Sabe, é que o lago está a ficar muito sujo, cheira mal, as margens estão com muito lixo, as árvores e as flores vão começar a morrer e nós não podemos ir para lá brincar porque podemos ficar doentes. Já disse quase tudo o que tinha para dizer, disse aliviada.
O sr. Alfredo ficou sem palavras, mas respondeu:
__ Tenha calma menina, que assim o problema não se resolve. A menina sabe que a fábrica é muito importante para a vila, dá muito dinheiro a muita gente. Todas as pessoas têm que trabalhar para viver e os seus pais sabem bem disso…
__ Pois, mas ter isso tudo à custa do nosso lindo lago do jardim e da água que nós bebemos? Estragar o que temos de belo e nos dá muita saúde, para depois gastar todo o dinheiro em remédios, não é muito justo, não lhe parece senhor? – respondeu Esmeralda, muito zangada.
O homem lá foi pensando e após alguns minutos de silêncio, disse:
__ Sabe menina, tem toda a razão. Não quero que os meus empregados fiquem em casa doentes ou com os filhos adoentados. É que eu sou o dono da fábrica.
Esmeralda ficou muito corada e assustada. Estava a falar mesmo com o dono da fábrica! Ela nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido! Mas pensou: «Assim o problema vai-se resolver mais depressa».
__ Pensando bem, a menina tem razão. Vou já resolver este assunto.
__ Que vai fazer o sr. Alfredo? – perguntou a menina.
__ Vou mandar construir uma estação de tratamento de lixos. Assim todo o lixo da vila e da minha fábrica vai ser reciclado.
__ Óptimo, disse Esmeralda muito contente. A partir de hoje vou separar todo o lixo da minha casa e dizer a toda a gente para separar o seu.
Esmeralda saiu do gabinete do sr. Alfredo, agradeceu toda a atenção que ele lhe deu e por ter conseguido resolver aquele problema que tanto a preocupava.
O senhor Alfredo vendo a enorme preocupação daquela menina, começou logo a tratar do projecto. Não podia esperar nem mais um dia.
Assim, no dia seguinte, logo de manhã, mandou começar as obras no terreno abandonado ao lado da sua fábrica, que pertencia à Junta de Freguesia.
A Esmeralda, mal o sol nasceu, levantou-se e foi logo para a beira do lago dar a notícia à Árvore Amarela. Quando lá chegou, ficou muito admirada com o sorriso dela.
__ Já sabes da novidade, Árvore? – perguntou a menina.
__ Já Esmeralda. Eu daqui consigo ver tudo o que se passa na vila e arredores. Muito obrigada Esmeralda, por ouvires a Natureza.
A Esmeralda sorriu, deitou-se na margem do lago debaixo da árvore e pensou:
__ Dois problemas resolvidos: o do lixo e da água suja e ainda o emprego.
__ O emprego?! _ quis saber a árvore admirada.
__ Sim, respondeu a menina. Não vês que para construir a Estação, são precisos muitos homens a trabalhar?
__ Tens razão, não tinha pensado nisso, disse a árvore num suspiro de alívio.
Nesse momento apareceu um senhor muito bem- disposto, que disse:
__ Boa tarde, menina!
Esmeralda levantou-se e respondeu:
__ Boa tarde. O que deseja?
Ela não tinha reparado que era o senhor Alfredo.
__ Ah! É o senhor! Muitos parabéns! O senhor presidente cumpriu a sua palavra. Muito obrigada!
O senhor deu uma gargalhada e respondeu:
__ Eu é que te agradeço. Agora, todos os homens da nossa vila estão empregados. Eu não tinha pensado em todos os problemas que a fábrica ia trazer, mas todos unidos vamos criar um mundo melhor, não está de acordo Esmeralda?
__ Estou sim senhor. Até a minha professora vai gostar de saber tudo o que eu fiz pelo «meio ambiente».
O senhor Alfredo deu um grande abraço à menina e disse-lhe:
__ Que bom seria, se todos pensassem como tu minha linda menina! O mundo seria muito melhor!
Ali ficaram os dois sentados na margem do lago até escurecer. Viram como é lindo o pôr-do-sol, o lago limpinho, as árvores de todas as cores, as flores de todos os feitios e as casas lá longe…Disseram então um para o outro:
__ Como é linda a Natureza! É que muitas vezes não ouvimos a natureza e esquecemo-nos que é no silêncio que se tomam as melhores decisões.


FAMILIA ESCRITORA DO ALUNO: JOSÉ RICARDO CARVALHO MOREIRA
3ºANO/TURMA 2

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Famílias escritoras (11)

A FLORESTA DE PEDRA

Há muito e muito tempo, numa terra em que os ricos se evidenciavam, existia um pobre homem que, pela sua fraca sorte na vida, se tinha tornado mendigo.
Era um homem que vivia na rua e durante o dia pedia esmola na praça, onde o comércio reinava e os que se consideravam mais abastados eram homens sem coração. Mesmo assim, todos os dias ele tinha a coragem de voltar àquela praça para arranjar algumas moedas e matar a fome.
Uma certa noite, quando vagueava num lugar sombrio e feio, por ele passou um homem que se dirigia para a floresta. O mendigo logo o chamou e disse-lhe que não fosse por ali, pois quem lá entrasse nunca mais saía. Este, a cavalo, depressa lhe agradeceu e perguntou poderia pernoitar. O mendigo indicou-lhe uma estalagem e foi recompensado com uma moeda.
Correndo com a moeda na mão, o mendigo dirigiu-se à casa de uma senhora viúva e com três crianças para sustentar, à qual logo entregou a moeda que tinha recebido, pois quando o marido desta senhora era vivo, ajudou-o bastante e como gratidão para com esta família, ele entregava tudo o que recebia àquela pobre mulher.
Mas uma tarde, uma cabra faltou a um dos comerciantes daquela praça. Era uma cabrinha simpática que costumava vir roubar um bocadinho de pão ao mendigo. Logo o acusaram de a ter roubado, ao qual ele respondeu que nem casa tinha para a esconder. Mesmo assim, todos se juntaram para o maltratarem, até que o homem a cavalo apareceu e lhes perguntou se tinham a certeza das acusações que faziam. Cegos pelo ódio e com vontade de violência, responderam que só ele poderia ter sido…Pouco depois aparece a cabrinha ao pé de uma banca de legumes. Todos se dirigiram para a sua banca de comércio sem pedirem desculpa ao mendigo e o mais cruel dos comerciantes, dizia que assim ele tinha aprendido a lição.
Desorientado e ferido, o mendigo foi despedir-se da viúva e dos seus filhos, dizendo que ia pedir para outra cidade, pois ali ele já não era bem-vindo. A viúva com muita pena daquele que tanto a tinha ajudado, ofereceu-lhe comida e uma moeda, o que ele recusou, e desapareceu na noite.
Andou durante muito tempo e já exausto, caiu por terra e ali mesmo adormeceu.
De manhã, foi acordado por três criaturas horrendas que lhe perguntaram o que fazia ali. Ao ver tais criaturas, soube logo onde estava; na FLORESTA DE PEDRA. O mendigo desculpou-se, dizendo que se tinha perdido e que não tinha intenção de entrar nas suas terras. Mas logo o levaram ao seu rei, para que ele dissesse o que fazer ao mendigo.
Ao entrar numa gruta, o mendigo deparou-se com uma sala, toda ela repleta de pedras preciosas e sentada num pequeno trono, uma pequena criatura também horrenda, que lhe perguntou que fazia ali. Novamente se desculpou, dizendo que se tinha desorientado durante a noite e ali foi parar. O rei, sentado nesse trono, logo lhe perguntou se a sua verdadeira intenção não seriam as suas pedras preciosas. O mendigo respondeu que não, que tinha ido lá parar por acaso.
Então o rei, pediu-lhe duas das suas riquezas ao qual ele respondeu nada ter; apenas a sua vida. O rei insistiu e pediu-lhe novamente duas das suas riquezas. Não tendo mais nada para oferecer, o mendigo entregou-lhe a tigela de barro com que pedia e o cajado que o ajudava a andar. Satisfeito, o rei colocou a tigela na cabeça, fazendo dela a sua coroa e pegou no cajado na mão direita fazendo dele o deu ceptro real. A seguir ordenou aos seus súbditos que entregassem ao mendigo todas as pedras preciosas que ele pudesse carregar.
Regressando à sua cidade, mais rico do que todos os comerciantes e proprietários das terras e casas, comprou uma enorme quinta repleta de animais, verdes prados e árvores de fruto. A seguir foi buscar a senhora viúva e os seus filhos para com eles constituir uma família.
Naquela mesma hora, na praça dos comerciantes, um burburinho se passava. Eram todos os comerciantes intrigados com a grande riqueza do triste mendigo, todos se perguntando como poderia ser ele agora o mais rico.
Entretanto, chega à praça o rico mendigo e logo se foram juntar a ele todos os comerciantes, principalmente o mais cruel e avarento de todos, para saberem de onde vinha aquela riqueza instantânea. A pergunta foi feita e o rico mendigo respondeu com toda a verdade; disse que foi parar à floresta de pedra por acaso e que o rei dessa floresta lhe tinha dado toda a riqueza que pudesse em troca da sua tigela e do seu cajado.
Ora, avarento, o comerciante pensou que, se em troca de duas peças sem valor, o rei da floresta de pedra deu ao mendigo umas quantas riquezas, se ele lhe levasse riquezas de verdade, o rei de certeza lhe daria muito mais. E assim fez; levando um cavalo carregado de tudo quanto era seu, dirigiu-se à floresta de pedra.
Quando lá chegou, foi recebido pelas três criaturas horrendas a quem disse que queria ver o seu rei, pois trazia todas as suas riquezas para lhe oferecer.
Assim, foi levado ao encontro do rei horrendo e este lhe perguntou o que trazia lá. O comerciante cruel respondeu-lhe que vinha trazer todas as suas riquezas àquele reino. O rei disse-lhe que ele era muito bondoso e que aceitava de bom grado a sua oferta se ele aceitasse em troca a maior riqueza daquele reino. O comerciante prontamente aceitou e entregou todas as suas riquezas. O rei ficou impressionado com tantas peças valiosas e disse ao comerciante que ele merecia a maior riqueza daquele reino.
Levantando-se, o rei foi ao encontro do comerciante cruel e entregou a maior riqueza do seu reino: a sua coroa e o seu ceptro. O comerciante ficou sem palavras e, manhoso como era, disse ao rei que não podia aceitar tal dádiva, mas que se contentava com algumas pedras preciosas. Então o rei insistiu e disse-lhe que não podia dar a um homem tão bondoso apenas pedras, mas sim a coroa e o ceptro que eram a riqueza maior do seu reino.
Ora, o comerciante não teve escolha, a não ser aceitar e sair dali com a tigela e o cajado do mendigo.
Voltando à cidade, o comerciante cruel não tinha mais nada de seu, pois tinha vendido tudo o que possuía para impressionar o rei horrendo. E assim sendo não lhe restava mais nada a não ser pedir esmola na praça dos comerciantes.
Com a tigela na mão e agarrado ao cajado, o comerciante cruel implorava por esmola, mas ninguém o ajudava. Entretanto, chegava à praça o mendigo rico, que ao ver aquele homem esfomeado, sentiu pena e o convidou para sua casa, onde a comida nunca lhe faltaria.


FAMILIA ESCRITORA DO ALUNO: JOSÉ MANUEL GONÇALVES FERREIRA
3ºANO/TURMA 2

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Famílias escritoras (10)

O PORQUINHO GULOSO

Clara, a cabritinha, está bastante aborrecida; tem que ir ao médico e não encontra ninguém que a substitua. Ela vende gelados deliciosos…
- Eu gostava de ajudar-te – disse Maçapão, o porquinho cor-de-rosa. Adoro gelados!
- Deves servir os clientes e não comer nada. Volto daqui a uma hora.
Tanta gente ao balcão!... Maçapão serve gelados sem parar: de chocolate, de baunilha, de morango, de pistáchio… É muito cansativo. Sente um pouco de fome e come alguns cornetos e depois alguns cones…
Come de tal modo, que acaba com tudo!
Entretanto, chega Cinzentão, o elefante.
- Quero quatro cornetos de chocolate, se faz favor.
- Não tenho – responde o Maçapão.
- Não tem importância, dá-me de baunilha – responde Cinzentão.
- Estou mesmo aborrecido – confessa Maçapão – comi todos os cornetos. Que é que vou fazer?
Tenho uma ideia – diz Cinzentão. Vou debruçar-me sobre o balcão e aspirar o resto dos gelados com a minha tromba!
- Podes tentar, mas eu não sei se a Clara vai gostar – responde Maçapão.
Quando Clara regressou, não havia cornetos, nem cones, nem gelados.
Cinzentão tinha ido embora. Só ficara Maçapão, que chorava num canto!
- Não é grave – disse Clara – eu perdoo-te.
Da próxima vez escolhe uma sapataria.
Vai ser mais fácil para ti.

FAMÍLIA ESCRITORA DA ALUNA: ADRIANA MARIA AZEVEDO MOREIRA
3º ANO/ TURMA 2

sábado, 8 de agosto de 2009

Famílias escritoras (9)

UMA ILHA NO MEIO DO MUNDO

Era uma vez uma menina, que perdeu a sua mãe quando era muito pequenina, tinha ela dois anos.
Era uma família muito grande, eram onze filhos, e eram muito pobres. Seu pai trabalhava como jardineiro numa quinta.
Rosinha acompanhava muitas vezes seu pai, porque os seus irmãos mais velhos, todos trabalhavam na agricultura.
Sua avó materna chamava-se Ana, e Rosinha gostava muito da sua avó porque ela lhe dava muitas vezes comida e carinho, mas infelizmente também a perdeu aos três anos de idade.
Cresceu, a sonhar com uma vida diferente, e gostava de ter aprendido outras coisas. Nunca andou na escola, não aprendeu a ler nem a escrever, e aos oito anos foi trabalhar para casa de um agricultor, a tomar conta de animais: vacas, ovelhas e cavalos.
Aos dezassete anos perdeu o seu querido pai.
Trabalhou sempre na agricultura até aos seus vinte anos, quando um dos seus irmãos, que não via há muitos anos, lhe propôs sair do país. Rosinha ficou toda entusiasmada e logo aceitou.
Rosa imediatamente se preparou e embarcou. Passou treze dias no mar, sem saber onde iria desembarcar. Esta jovem, rapidamente sentiu um clima diferente e foi então que avistou uma ilha muito bonita e tropical; era a ilha de S. Tomé e Príncipe.
Logo ali, Rosa pressentiu que iria ser muito feliz. Lá a esperavam quatro dos seus irmãos, que há muito tempo não via. Era uma ilha muito verde, com lindas praias e um clima maravilhoso. Depressa se adaptou, aprendeu a ler e a escrever, trabalhou na padaria do seu irmão e, nas horas vagas, tirou um curso de costura.
Ao fim de dez anos, conheceu um português, pelo qual se apaixonou, casou-se e nasceu uma linda filha.
Rosa conseguiu encontrar a felicidade numa ilha no meio do mundo.
Essa menina é a minha querida avó materna!

FAMÍLIA ESCRITORA DA ALUNA: MARIA DA COSTA OLIVEIRA
3º ANO/ TURMA 2

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Famílias escritoras (8)

O PROMETIDO É DEVIDO

Era uma vez uma menina pequena e brincalhona que ia cedo para a escola, só para jogar à macaca que estava marcada, há anos, no mesmo lugar.
Ela gostava de estudar, mas tinha, como qualquer outro aluno, dúvida na compreensão de algumas matérias ou as lições mal estudadas. Contudo, não deixava de ser uma aluna aplicada, sossegada, responsável que não cometia muitos erros e cuidava dos seus trabalhos.
Um dia, porém, na hora do ditado diário, em que não era costume dar erros, saiu das «normas» que a professora apresentava. Ela dissera que aquele aluno que cometesse mais do que um erro, apanharia «bolos» nas mãos ou reguadas. Esta menina ficou triste porque tinha algumas amigas que recebiam esse «presente» todos os dias, mas longe de pensar que podia ser uma das apontadas.
Qual não foi o seu espanto, ao saber que essa condição a tinha atingido.
Recebeu o ditado e como não era costume, viu que a professora não estava disposta a castigá-la. Falou muitas vezes no assunto, olhou muitas vezes para ela e tomou uma decisão.
O castigo foi-lhe aplicado.
Sofreu a professora e sofreu a menina, mas a palavra tinha de ser cumprida.
Percebeu ela, então, o ditado popular «O prometido é devido». Ela mostrou e a professora também, que por muito que nos custe, ou faça sofrer, a palavra dada não deve voltar atrás, atinja quem atingir.
Talvez esta menina levasse as amigas a pensar que nem sempre os castigos são penalizadores e os elogiados são elogiados.
A vida dá muitas voltas, mas a justiça deve ser aplicada, sempre!


FAMÍLIA ESCRITORA DO ALUNO: MIGUEL ANDRÉ CARVALHO ARAÚJO
3º ANO /TURMA 2

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Famílias escritoras (7)

A BOLA DE CRISTAL
Era uma vez uma feiticeira que tinha 3 filhos que se amavam fraternalmente. A velha, porém, não confiava neles, pensando que queriam roubar-lhe o poder. Transformou, então, o mais velho numa águia, que teve de ir morar para o alto de uma montanha rochosa e, de vez em quando, podia-se vê-lo a descrever grandes círculos no ar, de cima para baixo. O segundo transformou-o numa baleia, que vivia nas profundezas do mar, e só se podia vê-la quando esguichava um forte jacto de água para cima. Ambos assumiam a sua forma humana apenas duas vezes por dia. O terceiro filho, temendo que a mãe também o transformasse num animal feroz, saiu de casa às escondidas.
Ora, ele ouvira contar que no castelo do Sol Dourado havia uma princesa encantada aguardando que alguém a libertasse. Porém, todo aquele que tentasse libertá-la era obrigado a arriscar a vida, e já 23 jovens tinham morrido de morte horrível. Só mais um poderia tentar, e depois a mais ninguém seria permitido salvá-la. Como o seu coração nada temia, resolveu procurar aquele castelo. Vagueava ele pelos arredores, já há bastante tempo, sem conseguir encontra-lo, quando se viu numa grande floresta onde não conseguia encontrar saída. De súbito, avistou ao longe dois gigantes que lhe acenaram com a mão e, assim que ele se aproximou, disseram-lhe:
__ Estamos a lutar por causa de um chapéu, para ver a quem pertence. Como temos a mesma força, nenhum pode vencer o outro. Os homens pequenos são mais inteligentes do que nós, por isso queremos deixar-te a ti a decisão.
__ Como podeis brigar por causa de um chapéu velho? - perguntou o mancebo.
__ Tu não sabes as virtudes que ele tem! É um chapéu mágico e quem o puser na cabeça pode desejar ir onde quiser e, no mesmo instante estará lá.
Disse então o mancebo:
__ Dai-me o chapéu! Andarei um pedaço do caminho e, quando eu vos chamar, começai a correr; e o chapéu será daquele que me alcançar primeiro.
Pondo o dito chapéu na cabeça, saiu dali mas, com o pensamento na princesa, esqueceu os gigantes e continuou sempre a andar. Ora, aconteceu que suspirando do fundo do coração, exclamou:
__ Ah! Se eu estivesse no Castelo do Sol Dourado!
Nem bem acabara de falar, encontrou-se no cimo de um alto monte, aos portões do castelo. Entrou e atravessou todos os aposentos, até que no último encontrou a princesa. Mas que susto apanhou ao olhar para ela: tinha um rosto cor de cinza, cheio de rugas, plhos baços e cabelos vermelhos.
__ Sois vós a princesa cuja beleza todo o mundo enaltece? – perguntou.
__ Ah! -respondeu ela. Esta não é a minha aparência. Os olhos humanos só me podem ver com este aspecto. Mas para que saibas como eu sou, olha este espelho. Ele não se deixa enganar e mostra a minha verdadeira imagem.
Ela pôs na sua mão o espelho, onde o mancebo viu reflectido o retrato da mais linda donzela do mundo, e viu como, de tanta tristeza, as lágrimas lhe rolavam pelas faces. Então, ele disse:
__ Como podeis ser salva? Eu não tenho medo de perigo algum.
Ela respondeu:
__ Quem conseguir a bola de cristal e apresentá-la ao feiticeiro quebrará o seu poder e eu retomo a minha forma verdadeira. Ah! – continuou – por causa disso, vários já foram ao encontro da morte, e tu, tão jovem, tenho pena que te exponhas a tão grandes perigos.
__ Nada me pode deter – disse ele – mas dizei-me o que devo fazer.
__ Saberás de tudo – respondeu a princesa. Descendo do monte onde está o castelo, encontrarás em baixo, uma fonte e lá um touro selvagem, e com ele deves lutar. Se tiveres a sorte de o matar, de dentro dele erguer-se-á um pássaro de fogo que leva no seu corpo um ovo incandescente, e esse ovo tem como gema a bola de cristal. O pássaro, porém, não solta o ovo senão quando é forçado a isso e, se porventura o ovo cai no chão, incendeia-se e queima tudo ao seu redor. E se se derrete e, com ele, a bola de cristal, todo o teu esforço terá sido em vão.
Desceu o mancebo até à fonte, onde o boi bufava e bramava para ele. Depois de demorada luta, ele o derrubou. Num piscar de de olhos, ergue-se de dentro, o pássaro de fogo e quis começar a voar, mas a águia, que era o irmão do mancebo e que estava a voar por entre as nuvens, precipitou-se sobre ele, perseguindo-o até ao mar, e bicou-o até que ele deixou que se soltasse o ovo. Este, porém, não caiu no mar mas sobre a cabana de um pescador situada na margem, que logo começou a fumegar, prestes a ser consumida pelas chamas. Ergueram-se então ondas enormes que, inundando a cabana, dominaram o fogo. O outro irmão, que era a baleia, viera a nadar e conseguira dar um impulso para que a água fria, apagasse o fogo.
O mancebo procurou o ovo e, por felicidade, encontrou-o. Não se tinha derretido, mas a casca, devido ao choque com a água fria, rachara-se, e a bola de cristal pôde ficar intacta.
Indo o mancebo apresentá-lo ao feiticeiro, este disse-lhe:
__ Meu poder está desfeito e, de hoje em diante, és o rei do Castelo do Sol Dourado. Por isso, também poderás devolver aos teus irmãos a forma humana.
Correu então o mancebo ao encontro da princesa e, ao entrar nos seus aposentos, ela lá estava em todo o seu esplendor da sua beleza. E ambos, cheios de alegria, trocaram os seus anéis.

FAMÍLIA ESCRITORA DO ALUNO:
BRUNO MIGUEL DE CARVALHO BARBOSA
3º Ano - Turma 2

domingo, 14 de junho de 2009

Famílias escritoras (6)

UMA HISTÓRIA DE VIDA

Esta é a minha história e a da minha família.
Chamo-me Maria… Sou casada há muitos anos com António. Temos 5 filhos: a mais velha é a Ana, é casada e tem uma filha; a segunda chama-se Alexandra, é casada e tem um filho; a terceira á a Isabel, mora com o namorado; ainda tenho dois gémeos, com 8 anos.
A minha primeira filha nasceu, tinha eu 19 anos. Foi muito complicado porque eu não queria ter filhos logo após o casamento…
Depois do nascimento desta menina, dou entrada no meu emprego e descubro que estou novamente grávida. Fiquei furiosa da vida por não querer que a minha vida começasse desta maneira, mas aconteceu…
Não tendo quem mas guardasse, deixei o trabalho e fiquei em casa para tomar conta delas, e aí comecei a ajudar a minha sogra a trabalhar a terra. Tinha a segunda filha 8 meses, fiquei doente com anemia bastante adiantada. Fui hospitalizada para fazer uma transfusão de sangue e ainda anos de tratamento.
Os anos foram passando e eu resolvi ser ama de crianças para ajudar o meu marido nas despesas familiares. Comprámos terras, construímos casa, trabalhámos aos fins-de-semana e feriados, e com a ajuda de amigos e muito suor e trabalho conseguimos construir a nossa vida. Entre todos, resolvemos ajudar-nos mutuamente na construção da casa de cada um, indo trabalhar uma semana para um amigo ora para outro e eles assim faziam connosco também. Decidimos habitar a casa ainda por acabar, sem portas e sem janelas, com estores apenas e portas interiores. Aos poucos, fomos terminando a nossa casa.
Desde então, e com as minhas filhas já na escola e a casa acabada, o meu marido ansiava ter um filho homem e aconteceu a terceira gravidez. Mas foi outra menina! Então, ele resolveu parar de pensar no menino e disse:
__ Agora chega. Não há mais meninos! Ficamos por aqui.
Eu fui guardando crianças, mais e mais, e foram 27 que passaram pela minha mão.
Chegou o ano de 2000 e a Primavera trouxe o que eu já não esperava.
Era dia de Páscoa. O meu marido foi comprar leitão para o almoço, toda a gente comeu e tudo correu bem. Na semana seguinte começaram a surgir problemas; fiquei doente e com comichão no corpo, vómitos e diarreia. Fui ao médico de família que me deu medicação. Passadas 2 semanas voltei lá novamente porque tinha os mesmos sintomas. Ele deu-me medicação mais forte mas não me aliviou nada. Voltei ao médico e então disse-lhe:
__ Senhor doutor, eu estou igual. Mande-me fazer análises ou outros exames. Isto não está bem. Há alguma coisa muito grave! ...
Ele respondeu-me:
__ Não rapariga, isso foi uma intoxicação alimentar. O teu estômago está tão inflamado que vai levar tempo a passar.
Eu repliquei:
__ Será melhor fazer umas análises?
O médico respondeu-me que não, que tudo iria melhorar com o tempo.
O tempo foi passando, a barriga foi crescendo… Então decidi ir à farmácia fazer uma análise e descobri que estava grávida mais uma vez. Fui à Ginecologista que me confirmou outra gravidez e que tinha de fazer exames rapidamente. Nesses exames vim a saber que estava com 22 semanas de gestação e de dois gémeos rapazes. Foi uma gravidez de risco porque tinha um gémeo com problemas. Fui sempre muito acompanhada, entrei em repouso absoluto… Previa que fosse um parto de cesariana, devido à idade que já contava (43 anos), mas por sorte foi parto normal e sem costuras. Quando soube desta gravidez, levei um susto enorme; mas depois senti muita alegria…
Os meus filhos nasceram no hospital de S. João, no Porto. Eram muito pequeninos, com o peso de 1,790g e foram para a Neonatologia onde estiveram na incubadora ligados às máquinas, para poderem viver e aumentar o peso. Depois, vieram para o Hospital de S. João de Deus, em Vila Nova de Famalicão, onde continuaram a lutar pela sua sobrevivência.
Quando chegaram a nossa casa tinham já 15 dias de vida. Continuei a cuidar deles com muito esforço, muita luta e muito carinho e irei continuar a cuidar deles enquanto Deus me deixar, para eles poderem ser uns homens.
A minha vida deu uma volta muito grande, está um bocado complicada, o meu marido tem muitos problemas de saúde. Eu tenho de fazer de pai, de mãe, de esposa, de enfermeira, enfim, tenho de ser tudo, sozinha na minha casa. Por vezes, torna-se complicado e sinto-me cansada, mas procuro as minhas forças nos meus filhos. As filhas mais velhas são muito carinhosas para o pai, são muito amigas dos irmãos e dão-me muita força para eu poder levar a vida para a frente.
Eu acho que vou conseguir dar a volta e ser feliz à minha maneira. Somos uma família muito unida formada por pais, filhas, filhos, genros e netos. Vamos continuando a vida da melhor maneira possível, um dia após o outro e que Deus ajude a minha família e todas as famílias escritoras.

FAMÍLIA ESCRITORA DOS ALUNOS: ALBERTO OLIVEIRA E SILVA E RAFAEL OLIVEIRA E SILVA
3º Ano - Turma 2

sábado, 13 de junho de 2009

Famílias escritoras (5)

ESMERALDA E O LAGO

Esmeralda era uma menina que vivia numa pequena vila chamada «Pôr-do-sol».
Era muito brincalhona e alegre, tinha longos cabelos pretos, olhos cor de azeitonas negras e uma pele morena.
Na sua vila existia um grande e longo lago com águas esverdeadas, com longas margens de relva e lindas árvores, árvores de todas as cores e feitios e lindas flores.
Esta menina, todas as manhãs, ia para a margem do lindo lago, ver nascer o sol; alguns dias ficava lá até o sol se pôr.
Certo dia, estava a linda Esmeralda a saltar à corda na berma do lago, quando ouviu chamar pelo seu nome:
- Esmeralda… Esmeralda…
A menina olhou para todos os lados mas não via ninguém e continuou a sua brincadeira. Voltou a ouvir:
- Esmeralda… Esmeralda… Olha para mim. Sou a árvore amarela!
Esmeralda aproximou-se da árvore e espantada, perguntou:
- Que se passa árvore? Não sabia que também falavas! ...
A árvore amarela respondeu:
- Não tens reparado na cor do nosso lago?
- Não! - respondeu Esmeralda. Mas correu logo para ver o que tinha mudado.
- Ah! Está a ficar muito escura a água do lago e a cheirar muito mal! Que se estará a passar? – replicou menina, pensativa.
- Sabes? Há uma fábrica do outro lado do lago que está a poluir a água do nosso lindo lago e vai-nos matar a todos: árvores e flores.
- Isto não pode continuar assim! Alguém tem de fazer alguma coisa por todos nós.
Esmeralda pensou um pouco e disse:
- Vou falar com o senhor presidente da Câmara Municipal. Ele tem que salvar a nossa vila e o lago desta poluição, não estás de acordo, Árvore Amarela?
- Sim, estou – respondeu ela.
A menina, naquele dia, não saiu de perto do lago, estava muito triste e a pensar no que ia dizer, no dia seguinte, ao senhor presidente e no que ele poderia fazer, porque a fábrica era muito importante para a vila, criava muitos empregos e dava dinheiro para a vila crescer. A menina foi dormir a pensar no assunto.
No dia seguinte, logo pela manhãzinha, a Esmeralda foi à Câmara e pediu para falar com o sr. Presidente, mas como era uma criança, a secretária não a deixou entrar. Repetiu o pedido diversas vezes mas não foi atendida. Como o problema era grave, a Esmeralda sentou-se na cadeira da sala de espera e pensou:
- Não saio daqui sem ser atendida!
Mas, de repente, um senhor muito bem vestido aproximou-se dela e perguntou-lhe:
- A menina espera alguém?
- Não, mas preciso de falar urgentemente com o senhor Presidente. E o senhor quem é?
- Sou o senhor Alfredo. Posso-a ajudar em alguma coisa ou nalgum assunto?
- Pode, respondeu a menina, ajude-me a resolver o problema do nosso lago e daquela fábrica que está a poluir a água.
O sr. Alfredo ficou muito admirado!
- Ah! Tanta preocupação para uma menina não é normal nos dias de hoje! Mas venha ao meu gabinete, menina – disse- lhe o senhor Alfredo, muito preocupado porque a fábrica era sua e ele não a queria fechar.
A menina entrou, sentou-se e logo começou a falar, mesmo sem pedir autorização para isso.
- Sabe, é que o lago está a ficar muito sujo, cheira mal, as margens estão com muito lixo, as árvores e as flores vão começar a morrer e nós não podemos ir para lá brincar porque podemos ficar doentes. Já disse quase tudo o que tinha para dizer, disse aliviada.
O sr. Alfredo ficou sem palavras, mas respondeu:
- Tenha calma menina, que assim o problema não se resolve. A menina sabe que a fábrica é muito importante para a vila, dá muito dinheiro a muita gente. Todas as pessoas têm que trabalhar para viver e os seus pais sabem bem disso…
- Pois, mas ter isso tudo à custa do nosso lindo lago do jardim e da água que nós bebemos? Estragar o que temos de belo e nos dá muita saúde, para depois gastar todo o dinheiro em remédios, não é muito justo, não lhe parece senhor? – respondeu Esmeralda, muito zangada.
O homem lá foi pensando e após alguns minutos de silêncio, disse:
- Sabe menina, tem toda a razão. Não quero que os meus empregados fiquem em casa doentes ou com os filhos adoentados. É que eu sou o dono da fábrica.
Esmeralda ficou muito corada e assustada. Estava a falar mesmo com o dono da fábrica! Ela nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido! Mas pensou: «Assim o problema vai-se resolver mais depressa».
- Pensando bem, a menina tem razão. Vou já resolver este assunto.
- Que vai fazer o sr. Alfredo? – perguntou a menina.
- Vou mandar construir uma estação de tratamento de lixos. Assim todo o lixo da vila e da minha fábrica vai ser reciclado.
- Óptimo, disse Esmeralda muito contente. A partir de hoje vou separar todo o lixo da minha casa e dizer a toda a gente para separar o seu.
Esmeralda saiu do gabinete do sr. Alfredo, agradeceu toda a atenção que ele lhe deu e por ter conseguido resolver aquele problema que tanto a preocupava.
O senhor Alfredo vendo a enorme preocupação daquela menina, começou logo a tratar do projecto. Não podia esperar nem mais um dia.
Assim, no dia seguinte, logo de manhã, mandou começar as obras no terreno abandonado ao lado da sua fábrica, que pertencia à Junta de Freguesia.
A Esmeralda, mal o sol nasceu, levantou-se e foi logo para a beira do lago dar a notícia à Árvore Amarela. Quando lá chegou, ficou muito admirada com o sorriso dela.
- Já sabes da novidade, Árvore? – perguntou a menina.
- Já Esmeralda. Eu daqui consigo ver tudo o que se passa na vila e arredores. Muito obrigada Esmeralda, por ouvires a Natureza.
A Esmeralda sorriu, deitou-se na margem do lago debaixo da árvore e pensou:
- Dois problemas resolvidos: o do lixo e da água suja e ainda o emprego.
- O emprego?! _ quis saber a árvore admirada.
- Sim, respondeu a menina. Não vês que para construir a Estação, são precisos muitos homens a trabalhar?
- Tens razão, não tinha pensado nisso, disse a árvore num suspiro de alívio.
Nesse momento apareceu um senhor muito bem- disposto, que disse:
- Boa tarde, menina!
Esmeralda levantou-se e respondeu:
- Boa tarde. O que deseja?
Ela não tinha reparado que era o senhor Alfredo.
- Ah! É o senhor! Muitos parabéns! O senhor presidente cumpriu a sua palavra. Muito obrigada!
O senhor deu uma gargalhada e respondeu:
- Eu é que te agradeço. Agora, todos os homens da nossa vila estão empregados. Eu não tinha pensado em todos os problemas que a fábrica ia trazer, mas todos unidos vamos criar um mundo melhor, não está de acordo Esmeralda?
- Estou sim senhor. Até a minha professora vai gostar de saber tudo o que eu fiz pelo «meio ambiente».
O senhor Alfredo deu um grande abraço à menina e disse-lhe:
- Que bom seria, se todos pensassem como tu minha linda menina! O mundo seria muito melhor!
Ali ficaram os dois sentados na margem do lago até escurecer. Viram como é lindo o pôr-do-sol, o lago limpinho, as árvores de todas as cores, as flores de todos os feitios e as casas lá longe…Disseram então um para o outro:
- Como é linda a Natureza! É que muitas vezes não ouvimos a natureza e esquecemo-nos que é no silêncio que se tomam as melhores decisões.

FAMILIA ESCRITORA DO ALUNO: JOSÉ RICARDO CARVALHO MOREIRA 3ºANO/TURMA 2

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Famílias escritoras (4)

A FLORESTA DE PEDRA

Há muito e muito tempo, numa terra em que os ricos se evidenciavam, existia um pobre homem que, pela sua fraca sorte na vida, se tinha tornado mendigo.
Era um homem que vivia na rua e durante o dia pedia esmola na praça, onde o comércio reinava e os que se consideravam mais abastados eram homens sem coração. Mesmo assim, todos os dias ele tinha a coragem de voltar àquela praça para arranjar algumas moedas e matar a fome.
Uma certa noite, quando vagueava num lugar sombrio e feio, por ele passou um homem que se dirigia para a floresta. O mendigo logo o chamou e disse-lhe que não fosse por ali, pois quem lá entrasse nunca mais saía. Este, a cavalo, depressa lhe agradeceu e perguntou poderia pernoitar. O mendigo indicou-lhe uma estalagem e foi recompensado com uma moeda.
Correndo com a moeda na mão, o mendigo dirigiu-se à casa de uma senhora viúva e com três crianças para sustentar, à qual logo entregou a moeda que tinha recebido, pois quando o marido desta senhora era vivo, ajudou-o bastante e como gratidão para com esta família, ele entregava tudo o que recebia àquela pobre mulher.
Mas uma tarde, uma cabra faltou a um dos comerciantes daquela praça. Era uma cabrinha simpática que costumava vir roubar um bocadinho de pão ao mendigo. Logo o acusaram de a ter roubado, ao qual ele respondeu que nem casa tinha para a esconder. Mesmo assim, todos se juntaram para o maltratarem, até que o homem a cavalo apareceu e lhes perguntou se tinham a certeza das acusações que faziam. Cegos pelo ódio e com vontade de violência, responderam que só ele poderia ter sido…Pouco depois aparece a cabrinha ao pé de uma banca de legumes. Todos se dirigiram para a sua banca de comércio sem pedirem desculpa ao mendigo e o mais cruel dos comerciantes, dizia que assim ele tinha aprendido a lição.
Desorientado e ferido, o mendigo foi despedir-se da viúva e dos seus filhos, dizendo que ia pedir para outra cidade, pois ali ele já não era bem-vindo. A viúva com muita pena daquele que tanto a tinha ajudado, ofereceu-lhe comida e uma moeda, o que ele recusou, e desapareceu na noite.
Andou durante muito tempo e já exausto, caiu por terra e ali mesmo adormeceu.
De manhã, foi acordado por três criaturas horrendas que lhe perguntaram o que fazia ali. Ao ver tais criaturas, soube logo onde estava; na FLORESTA DE PEDRA. O mendigo desculpou-se, dizendo que se tinha perdido e que não tinha intenção de entrar nas suas terras. Mas logo o levaram ao seu rei, para que ele dissesse o que fazer ao mendigo.
Ao entrar numa gruta, o mendigo deparou-se com uma sala, toda ela repleta de pedras preciosas e sentada num pequeno trono, uma pequena criatura também horrenda, que lhe perguntou que fazia ali. Novamente se desculpou, dizendo que se tinha desorientado durante a noite e ali foi parar. O rei, sentado nesse trono, logo lhe perguntou se a sua verdadeira intenção não seriam as suas pedras preciosas. O mendigo respondeu que não, que tinha ido lá parar por acaso.
Então o rei, pediu-lhe duas das suas riquezas ao qual ele respondeu nada ter; apenas a sua vida. O rei insistiu e pediu-lhe novamente duas das suas riquezas. Não tendo mais nada para oferecer, o mendigo entregou-lhe a tigela de barro com que pedia e o cajado que o ajudava a andar. Satisfeito, o rei colocou a tigela na cabeça, fazendo dela a sua coroa e pegou no cajado na mão direita fazendo dele o deu ceptro real. A seguir ordenou aos seus súbditos que entregassem ao mendigo todas as pedras preciosas que ele pudesse carregar.
Regressando à sua cidade, mais rico do que todos os comerciantes e proprietários das terras e casas, comprou uma enorme quinta repleta de animais, verdes prados e árvores de fruto. A seguir foi buscar a senhora viúva e os seus filhos para com eles constituir uma família.
Naquela mesma hora, na praça dos comerciantes, um burburinho se passava. Eram todos os comerciantes intrigados com a grande riqueza do triste mendigo, todos se perguntando como poderia ser ele agora o mais rico.
Entretanto, chega à praça o rico mendigo e logo se foram juntar a ele todos os comerciantes, principalmente o mais cruel e avarento de todos, para saberem de onde vinha aquela riqueza instantânea. A pergunta foi feita e o rico mendigo respondeu com toda a verdade; disse que foi parar à floresta de pedra por acaso e que o rei dessa floresta lhe tinha dado toda a riqueza que pudesse em troca da sua tigela e do seu cajado.
Ora, avarento, o comerciante pensou que, se em troca de duas peças sem valor, o rei da floresta de pedra deu ao mendigo umas quantas riquezas, se ele lhe levasse riquezas de verdade, o rei de certeza lhe daria muito mais. E assim fez; levando um cavalo carregado de tudo quanto era seu, dirigiu-se à floresta de pedra.
Quando lá chegou, foi recebido pelas três criaturas horrendas a quem disse que queria ver o seu rei, pois trazia todas as suas riquezas para lhe oferecer.
Assim, foi levado ao encontro do rei horrendo e este lhe perguntou o que trazia lá. O comerciante cruel respondeu-lhe que vinha trazer todas as suas riquezas àquele reino. O rei disse-lhe que ele era muito bondoso e que aceitava de bom grado a sua oferta se ele aceitasse em troca a maior riqueza daquele reino. O comerciante prontamente aceitou e entregou todas as suas riquezas. O rei ficou impressionado com tantas peças valiosas e disse ao comerciante que ele merecia a maior riqueza daquele reino.
Levantando-se, o rei foi ao encontro do comerciante cruel e entregou a maior riqueza do seu reino: a sua coroa e o seu ceptro. O comerciante ficou sem palavras e, manhoso como era, disse ao rei que não podia aceitar tal dádiva, mas que se contentava com algumas pedras preciosas. Então o rei insistiu e disse-lhe que não podia dar a um homem tão bondoso apenas pedras, mas sim a coroa e o ceptro que eram a riqueza maior do seu reino.
Ora, o comerciante não teve escolha, a não ser aceitar e sair dali com a tigela e o cajado do mendigo.
Voltando à cidade, o comerciante cruel não tinha mais nada de seu, pois tinha vendido tudo o que possuía para impressionar o rei horrendo. E assim sendo não lhe restava mais nada a não ser pedir esmola na praça dos comerciantes.
Com a tigela na mão e agarrado ao cajado, o comerciante cruel implorava por esmola, mas ninguém o ajudava. Entretanto, chegava à praça o mendigo rico, que ao ver aquele homem esfomeado, sentiu pena e o convidou para sua casa, onde a comida nunca lhe faltaria.

FAMILIA ESCRITORA DO ALUNO: JOSÉ MANUEL GONÇALVES FERREIRA 3ºANO/TURMA 2

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Famílias escritoras (3)

O PORQUINHO GULOSO

Clara, a cabritinha, está bastante aborrecida; tem que ir ao médico e não encontra ninguém que a substitua. Ela vende gelados deliciosos…
- Eu gostava de ajudar-te – disse Maçapão, o porquinho cor-de-rosa. Adoro gelados!
- Deves servir os clientes e não comer nada. Volto daqui a uma hora.
Tanta gente ao balcão!... Maçapão serve gelados sem parar: de chocolate, de baunilha, de morango, de pistáchio… É muito cansativo. Sente um pouco de fome e come alguns cornetos e depois alguns cones…
Come de tal modo, que acaba com tudo!
Entretanto, chega Cinzentão, o elefante.
- Quero quatro cornetos de chocolate, se faz favor.
- Não tenho – responde o Maçapão.
- Não tem importância, dá-me de baunilha – responde Cinzentão.
- Estou mesmo aborrecido – confessa Maçapão – comi todos os cornetos. Que é que vou fazer?
Tenho uma ideia – diz Cinzentão. Vou debruçar-me sobre o balcão e aspirar o resto dos gelados com a minha tromba!
- Podes tentar, mas eu não sei se a Clara vai gostar – responde Maçapão.
Quando Clara regressou, não havia cornetos, nem cones, nem gelados.
Cinzentão tinha ido embora. Só ficara Maçapão, que chorava num canto!
- Não é grave – disse Clara – eu perdoo-te.
Da próxima vez escolhe uma sapataria.
Vai ser mais fácil para ti.

FAMÍLIA ESCRITORA DA ALUNA: ADRIANA MARIA AZEVEDO MOREIRA
3º ANO/ TURMA 2

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Famílias escritoras (2)

UMA ILHA NO MEIO DO MUNDO

Era uma vez uma menina, que perdeu a sua mãe quando era muito pequenina, tinha ela dois anos.
Era uma família muito grande, eram onze filhos, e eram muito pobres. Seu pai trabalhava como jardineiro numa quinta.
Rosinha acompanhava muitas vezes seu pai, porque os seus irmãos mais velhos, todos trabalhavam na agricultura.
Sua avó materna chamava-se Ana, e Rosinha gostava muito da sua avó porque ela lhe dava muitas vezes comida e carinho, mas infelizmente também a perdeu aos três anos de idade.
Cresceu, a sonhar com uma vida diferente, e gostava de ter aprendido outras coisas. Nunca andou na escola, não aprendeu a ler nem a escrever, e aos oito anos foi trabalhar para casa de um agricultor, a tomar conta de animais: vacas, ovelhas e cavalos.
Aos dezassete anos perdeu o seu querido pai.
Trabalhou sempre na agricultura até aos seus vinte anos, quando um dos seus irmãos, que não via há muitos anos, lhe propôs sair do país. Rosinha ficou toda entusiasmada e logo aceitou.
Rosa imediatamente se preparou e embarcou. Passou treze dias no mar, sem saber onde iria desembarcar. Esta jovem, rapidamente sentiu um clima diferente e foi então que avistou uma ilha muito bonita e tropical; era a ilha de S. Tomé e Príncipe.
Logo ali, Rosa pressentiu que iria ser muito feliz. Lá a esperavam quatro dos seus irmãos, que há muito tempo não via. Era uma ilha muito verde, com lindas praias e um clima maravilhoso. Depressa se adaptou, aprendeu a ler e a escrever, trabalhou na padaria do seu irmão e, nas horas vagas, tirou um curso de costura.
Ao fim de dez anos, conheceu um português, pelo qual se apaixonou, casou-se e nasceu uma linda filha.
Rosa conseguiu encontrar a felicidade numa ilha no meio do mundo.
Essa menina é a minha querida avó materna!

FAMÍLIA ESCRITORA DA ALUNA: MARIA DA COSTA OLIVEIRA
3º ANO/ TURMA 2

terça-feira, 9 de junho de 2009

Famílias escritoras (1)

O PROMETIDO É DEVIDO

Era uma vez uma menina pequena e brincalhona que ia cedo para a escola, só para jogar à macaca que estava marcada, há anos, no mesmo lugar.
Ela gostava de estudar, mas tinha, como qualquer outro aluno, dúvida na compreensão de algumas matérias ou as lições mal estudadas. Contudo, não deixava de ser uma aluna aplicada, sossegada, responsável que não cometia muitos erros e cuidava dos seus trabalhos.
Um dia, porém, na hora do ditado diário, em que não era costume dar erros, saiu das «normas» que a professora apresentava. Ela dissera que aquele aluno que cometesse mais do que um erro, apanharia «bolos» nas mãos ou reguadas. Esta menina ficou triste porque tinha algumas amigas que recebiam esse «presente» todos os dias, mas longe de pensar que podia ser uma das apontadas.
Qual não foi o seu espanto, ao saber que essa condição a tinha atingido.
Recebeu o ditado e como não era costume, viu que a professora não estava disposta a castigá-la. Falou muitas vezes no assunto, olhou muitas vezes para ela e tomou uma decisão.
O castigo foi-lhe aplicado.
Sofreu a professora e sofreu a menina, mas a palavra tinha de ser cumprida.
Percebeu ela, então, o ditado popular «O prometido é devido». Ela mostrou e a professora também, que por muito que nos custe, ou faça sofrer, a palavra dada não deve voltar atrás, atinja quem atingir.
Talvez esta menina levasse as amigas a pensar que nem sempre os castigos são penalizadores e os elogiados são elogiados.
A vida dá muitas voltas, mas a justiça deve ser aplicada, sempre!

FAMÍLIA ESCRITORA DO ALUNO: MIGUEL ANDRÉ CARVALHO ARAÚJO
3º ANO /TURMA 2

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Aqui está outro trabalho relacionado com o Livro "VIH, O Bicho da Sida". Os alunos do 4.º ano 2 decidiram fazer um pequeno vídeo sobre o livro com ilustrações feitas pelos próprios. Foi muito divertido para eles fazerem este trabalho pois gostaram imenso do livro e das suas ilustrações.
video

quarta-feira, 29 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

o bicho da SIDA


Depois de ler o livro "O Bicho da SIDA", de Rui Zink, os alunos do 4º ano (turma 2) imaginaram como é que ele seria e fizeram estas ilustrações:

Vitória

Valter

Tiago

Rúben

Rui

Pedro

Paulo

Nuno

Luís

Diogo

Diogo Carvalho

Diana

Deolinda

Daniel

Cláudia

Cátia

Alexandre

Alexandra

Adriana